Psi Malu Gouveia
12 de julho de 2026Cessação do tabagismo6 min de leitura

Parar de fumar: por que força de vontade não basta

Coordenei por três anos o Programa de Cessação do Tabagismo do SUS em Florianópolis. Se uma coisa ficou clara nesse período, foi esta: quem "não consegue parar" quase nunca tem um problema de vontade. Tem um problema de método.

O cigarro é um regulador emocional

Para quem fuma há anos, o cigarro deixou de ser só nicotina. Ele virou pausa no trabalho, companhia na ansiedade, recompensa depois do esforço, fronteira entre um turno e outro do dia. Quando a pessoa para "na marra", ela não perde apenas uma substância — perde, de uma vez, todas essas funções. É por isso que a recaída clássica não acontece no dia um; acontece na primeira semana difícil.

O que a evidência mostra

Os protocolos com melhor resultado combinam três frentes, e nenhuma delas é heroísmo:

Recaída não é fracasso — é dado

A maioria das pessoas que hoje não fuma tentou mais de uma vez. Cada tentativa anterior contém informação valiosa: em que situação você voltou, com quem estava, o que sentiu uma hora antes. Um processo bem conduzido usa esse histórico como mapa, não como prontuário de culpa.

Você não falhou nas outras tentativas. Você coletou dados — só faltava alguém para analisá-los com você.

Como eu trabalho

Atendo cessação do tabagismo em formato individual e em programas corporativos, com protocolo baseado em evidências construído na experiência do programa público. O processo tem começo, meio e critérios claros de progresso — você sabe, a cada etapa, onde está.

Malu Gouveia Psicóloga · CRP 06/175814 · 3 anos coordenando programa de cessação no SUS

Este texto tem caráter educativo e não substitui psicoterapia, avaliação individual ou orientação médica. Medicamentos para cessação exigem prescrição e acompanhamento médico.